Tipos de tatuagens oncológicas

Todos os dias 19 de outubro, o Dia Mundial de Combate ao Cancro da Mama recorda-nos a importância da prevenção, da investigação e do acompanhamento ao longo de todo o processo da doença. Mas é também uma oportunidade para falar sobre algo que faz parte da recuperação de muitas pacientes: a reconstrução da própria imagem.

Após uma mastectomia, uma cirurgia ou um tratamento de quimioterapia e radioterapia, o corpo pode mudar. As tatuagens oncológicas oferecem diferentes possibilidades para acompanhar essas mudanças: desde a reconstrução visual da aréola até à integração de uma cicatriz num desenho. E nem todas têm o mesmo objetivo.

Tatuagem 3D de aréola e mamilo

Um dos tipos mais conhecidos de tatuagens oncológicas é a tatuagem 3D de aréola e mamilo. Em determinados casos, a micropigmentação permite completar visualmente essa reconstrução, criando uma nova aréola e um mamilo através de pigmentos, sombras e luzes.

A técnica utiliza diferentes tonalidades e efeitos de profundidade para simular volume sobre uma superfície plana e conseguir uma aparência o mais natural possível. Mais do que adicionar um desenho ao corpo, trata-se de recuperar visualmente uma parte que foi perdida durante o processo.

Tatuagem decorativa sobre cicatriz

Outra possibilidade é utilizar a tatuagem para integrar ou cobrir uma cicatriz. Aqui podem incluir-se desenhos florais, ornamentais, simbólicos ou qualquer composição que possa ser adaptada à forma e à localização da cicatriz. A ideia não tem necessariamente de ser escondê-la. Pelo contrário: a cicatriz pode tornar-se parte do desenho.

Micropigmentação de camuflagem

O objetivo muda quando falamos de micropigmentação de camuflagem. Ao contrário da tatuagem decorativa, aqui não se procura criar um desenho. São utilizados pigmentos semelhantes ao tom da pele para reduzir o contraste visual da cicatriz.

Dermopigmentação de sobrancelhas e couro cabeludo

As alterações físicas causadas pelo cancro não se limitam às cicatrizes cirúrgicas. A quimioterapia pode provocar queda temporária de cabelo e também afetar as sobrancelhas e as pestanas. Nestes casos, a dermopigmentação pode ser uma opção para recuperar visualmente parte desses traços.

As sobrancelhas, a linha das pestanas ou o couro cabeludo podem ser trabalhados utilizando técnicas de pigmentação adaptadas a cada zona.

@mireia.ortega.tattoo

Marcas de radioterapia

Existe outro tipo de tatuagem diretamente relacionado com o tratamento oncológico: as marcas de radioterapia. Durante determinados tratamentos de radioterapia, são feitas pequenas marcas permanentes, normalmente com apenas alguns milímetros, que servem como pontos de referência para ajudar a posicionar corretamente o feixe de radiação em cada sessão.

Embora a sua finalidade original seja exclusivamente médica, algumas pacientes, depois de concluírem o tratamento, decidem transformar esses pequenos pontos num desenho. O que começou como uma marca necessária para o tratamento pode tornar-se posteriormente num pequeno símbolo pessoal da experiência vivida.

Antes de tatuar: a pele também precisa de tempo

Embora a tatuagem possa fazer parte de um processo de recuperação, é importante lembrar que nem toda a pele está preparada para ser tatuada a qualquer momento.

As cicatrizes recentes e a pele que recebeu radioterapia podem comportar-se de forma diferente da pele saudável. A cicatrização, a sensibilidade e as condições de cada zona devem ser avaliadas antes de realizar qualquer procedimento. Os prazos não devem ser determinados pela pressa nem pelo estúdio de tatuagem, mas sim pela evolução de cada pessoa e pelas indicações dos seus profissionais de saúde.

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